Comparação, tristeza e redes sociais

Sabe aquelas pessoas que têm mais do que você? Dinheiro, fama, beleza… Sentir inveja é natural. Mas num mundo em que curtidas e seguidores parecem ser tudo o que prova o valor de uma pessoa, você não tem que seguir o fluxo.

Comparar a si mesmo com os outros é comum entre as pessoas, e pode ser de grande ajuda. A inspiração que sentimos com as conquistas dos outros pode nos dar um “boost” de motivação para melhorar a própria vida. Reconhecer que suas habilidades são superiores às habilidades de outra pessoa pode dar um up na sua auto estima. Mas as comparações são desesperadoras quando causam constante sentimento de inferioridade.

As mídias sociais são instrumentos que potencializam as comparações. Claramente as redes sociais mostram um universo pessoal totalmente enviesado. As pessoas são mais propensas a compartilhar grandes experiências e novidades sobre si mesmas, e há algorítimos que selecionam justamente este tipo de publicação para aparecer em nossos feeds.

A comparação com os outros não só é natural como também essencial na construção do nosso “self”, para entendermos quem nós somos, e por isso acontece automática e espontaneamente. Se você está andando e passa por você uma pessoa super em forma com 20 e poucos anos correndo, automaticamente você vai pensar, por comparação, que está fora de forma. Mas depois você pode se lembrar que é duas décadas mais velho, trabalha 44 horas por semana e cuida de dois filhos e por isso não tem tempo para cuidar da alimentação e se exercitar tão bem. Mas a comparação seria totalmente diferente se estivéssemos olhando para outro pai trabalhador.

O que causa a tristeza é a comparação com os semelhantes. Não comparamos nossos sucesso com o sucesso de Steve Jobs, e nem com o sucesso daquele mendigo que nos pediu uma moeda. Nos comparamos com nossos familiares, amigos, colegas de trabalho e faculdade, e vizinhos. E nossas comparações tendem a ser sobre aquilo que mais valorizamos, pode ser aparência, riqueza, desempenho profissional, relacionamentos ou mesmo coisas mais específicas.

O efeito benéfico da comparação começa quando uma comparação nos inspira a fazer algo, a tentar mais, a buscar aquele resultado para nós: quando decidimos nos esforçar mais no trabalho, dormir mais cedo para acordar mais cedo, nos livrarmos de certos hábitos ou trocá-los por outros. Também pode ser benéfico perceber que alguém tem menor desempenho do que você por não se dedicar o suficiente, por não chegar no trabalho na hora ou por não perder uma festa da faculdade.

O sofrimento surge quando vemos nossos semelhantes em posições muito melhores do que a nossa. Aquele amigo da faculdade que já fez mestrado e está indo pro doutorado. Aquele amigo de trabalho que foi promovido. Aquele amigo de escola que passou num concurso público. Aquele primo que arrumou um bom emprego. Se a comparação servir somente para que sintamos pena de nós mesmos, é melhor parar.

No caso das mídias sociais, elas atuam como potencializadoras deste processo. Uma passada no facebook pode fazer com que você se perca em várias vidas idealizadas por postagens e fotos maravilhosas, e esqueça de aproveitar a própria vida. Por outro lado as redes podem servir para manter contato com pessoas queridas, compartilhar acontecimentos importantes, fazer check in em lugares agradáveis e com pessoas que amamos.

O melhor para evitar cair na armadilha da comparação é desenvolver uma forte identidade. Desenvolver relações fortes com pessoas que conhecem seu “verdadeiro eu”, e estar sempre em consonância com as suas crenças e valores. Uma identidade forte significa pensar algo sobre você mesmo não considerando nenhum tipo de feedback das outras pessoas. Quais seus valores e suas crenças independentemente da aprovação dos outros? Você pode se orgulhar da pessoa que é fora das publicações em redes sociais?

Procure conexões invés de comparações, se conectar com alguém que chegou lá pode te dar uma luz sobre como chegar também. Se compare com os outros só um pouco, o suficiente para se motivar a tomar ação. E mais importante, compare-se com você mesmo no passado, somente assim você saberá se está melhorando. Perceber que perdeu 1 Kg na última semana aumentará sua autoestima e será bem mais motivador do que comparar-se com aquele praticante de crossfit com abdome definido.

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