Mãe é um lugar

A mãe é uma posição que se ocupa. E mais importante: uma posição que não se confunde com a posição feminina. A ideia de que ser mulher é ser mãe em algum momento não passa de uma confusão histórica, daquelas em que se toma como essência ou como sentido da vida uma única possibilidade  (ser mãe) em detrimento de inúmeras outras.

O lugar materno é o lugar do primeiro outro de alguém, outro que tudo provê. É também um lugar do qual se precisa ser destituído, já que a falta deste outro é que funda o desejo e a própria busca por satisfação. É isso mesmo, só desejamos quando falta, e só falta quando esse outro materno para de prover. É doloroso pros dois lado, mas tem que acontece em algum momento.

É difícil prover tudo para alguém, mas é tão difícil quanto deixar essa posição. A separação do filho é necessária para sua maturidade e autonomia. A mãe precisa deixar ir, dar a possibilidade de crescimento ao filho. É verdade que nem sempre o filho sucede nessa difícil atividade, mas é preciso dar-lhe a possibilidade. Tirar essa possibilidade de alguém é uma das ações com resultado mais cruel que podemos imaginar.

Quando o filho cresce a mãe não precisa fazer mais por ele. Assim ser mãe é fazer tudo para que não precise fazer mais. É se fazer fundamental, antes de se fazer desnecessária. Ser mãe é passar pela dor de se doar por inteira, depois passar pela dor de se doar cada vez menos. E só uma mãe sabe como é doloroso em ambos os casos.

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