Fazer quando não precisa. Precisar quando não faz.

Energia e impulso que precisa ser descarregado. O desnecessário é sintoma. Energia que se converte em ação. Ação que não traz mudanças. A situação se mantém. O neurótico repete.

As ações não mudam, mas dizem algo. Algo que o neurótico não cansa de não ouvir. A terapia serve também pra ouvir o sintoma, ouvir o desnecessário que faz sofrer. O necessário é muito pouco, ou quase nada, eu diria. O neurótico sofre com o que não é necessário. E nada mais justo, viver só do necessário aproxima do estado animalesco de ser. Viver com o desnecessário, com o inútil para a sobrevivência, é isso que dá sentido à vida e torna humano.

É exclusividade do ser humano se dedicar ao desnecessário, à arte, música, teatro, estudos, romance, etc. A neurose é uma forma de administrar esse desnecessário. Arte, ciência, política e sociedade são produções humanas desnecessárias, são sintomas da busca por sentido que é inerente ao animal humano. Fazer o desnecessário é o que torna humano!

O patológico é se apegar puramente ao que é preciso, ao que é necessário para sobreviver. É preciso lidar com o necessário, mas resumir a vida às necessidades não difere o ser humano do ser selvagem.

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